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Clínica EvCiti, Jardim Paulista, São Paulo, Sp

Esclerose Múltipla – o que é?

Esclerose múltipla é a doença autoimune mais comum que afeta o sistema nervoso central. Afeta principalmente mulheres, numa proporção de 2 mulheres para cada 1 homem e é mais frequente em pessoas brancas e jovens, entre 20 e 40 anos. No Brasil, a prevalência é de 15 a cada 1000 pessoas.

 

Os principais sintomas são formigamentos, diminuição de sensibilidade nos membros do corpo, fadiga, cansaço, fraqueza localizada em um ou mais membros, desequilíbrio, tontura, embaçamento da visão, visão dupla, incontinência urinária, depressão, irritabilidade, esquecimentos e dificuldade de andar. Ela pode atingir o cérebro, o tronco cerebral, o cerebelo, o nervo óptico e a medula espinhal, podendo gerar sintomas muito diferentes em cada indivíduo.

 

O que significa dizer que é uma doença autoimune? Significa que as células de defesa atacam o próprio corpo. No caso da esclerose múltipla, a principal explicação é que, depois de uma infecção pelo vírus Epstein Barr (EBV), as células de defesa confundem as partículas do vírus com partículas parecidas no nosso cérebro e fazem a resposta contra ele. O EBV causa a mononucleose, popularmente conhecida como “doença do beijo”, mas muita gente já teve contato e não teve sintomas. Mais de 90% das pessoas já tiveram contato com esse vírus e a grande maioria não vai ter esclerose múltipla. Ou seja, a esclerose múltipla é uma complicação rara desse vírus, quando o sistema imunológico erra o alvo e faz uma inflamação que ataca o sistema nervoso central. Outros fatores que aumentam o risco da doença são obesidade, tabagismo, baixa exposição ao sol e baixa vitamina D no sangue. A genética também influencia, mas menos de 5% é hereditário, ou seja, pai e filho acometidos pela doença.

 

Existem 3 tipos principais de esclerose múltipla. A mais comum é a forma remitente recorrente, que acontece em picos de inflamação, dá sintomas agudos (chamamos de surtos), melhora, entra em remissão por um tempo e volta a dar inflamação novamente. Uma minoria tem a forma primariamente progressiva, que vai tendo sintomas lentamente e progredindo. Por fim, a forma secundariamente progressiva é quando uma pessoa começa com a forma remitente recorrente e anos depois começa a piorar progressivamente, independente de inflamação aguda.

 

Um surto é quando aparece um sintoma novo, que dura mais de 24 horas e melhora em 2 meses. O problema é quando ele não melhora completamente, deixando sequelas. No entanto, as pessoas que vivem esclerose múltipla podem vivenciar sintomas transitórios, que vêm e passam, em situações de estresse, calor, febre e infecção. Por exemplo, um formigamento ou embaçamento visual que dura poucos minutos e melhora. Os neurônios funcionam pior no calor. Por isso, se não durar mais de 24 horas, não consideramos surto. É recomendado procurar o pronto atendimento para tratamento em caso de sintomas novos e persistentes.

 

O diagnóstico é feito com base na ressonância magnética de crânio, coluna cervical e coluna torácica. Se existe embaçamento da visão, precisa realizar ressonância magnética de órbitas. Em alguns casos, o líquido cefalorraquidiano (líquido da espinha) pode auxiliar para ver se tem inflamação, com a pesquisa de bandas oligoclonais.

 

A esclerose múltipla não tem cura, é uma doença crônica. Mas a boa notícia é que tem tratamento. Existem vários medicamentos aprovados no SUS e na ANS (agência que regula os convênios), que podem ser amplamente utilizados em quem tem esclerose múltipla. Quando não tínhamos remédios, lá na década de 1980, metade das pessoas ia tendo dificuldade de andar até ficar na cadeira de rodas depois de 20 a 30 anos do início. Mas hoje, com o tratamento adequado, conseguimos fazer com que 80 a 90% das pessoas fiquem estáveis da doença em um ano, sem novos sintomas. Além disso, conseguimos diminuir a inflamação e fazer com que os surtos sejam mais leves. Por isso, hoje temos a impressão de ser uma doença menos grave do que era antigamente. Com reabilitação, é possível aos poucos recuperar as funções neurológicas que foram afetadas. Com tratamento, a maioria das pessoas pode viver normalmente, trabalhar, estudar, viajar, ter família e seguir com sintomas mínimos.

 

É importante realizar reabilitação em quem tem sequelas, com auxílio de outros profissionais como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisiatra. Além disso, a atividade física pode melhorar a qualidade de vida, diminuir a fadiga e preservar a função dos neurônios. O tratamento também envolve agir nos fatores de risco da esclerose múltipla, repondo vitamina D em quem tem ela baixa, mudando para um estilo de vida mais saudável para perder peso em quem é obeso e auxiliando a parar de fumar em quem é tabagista.

 

Se você está com suspeita de esclerose múltipla ou já recebeu o diagnóstico, procure um neurologista para realizar o tratamento.

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